5 Capítulos, 52 Voluntários, 1 Missão: O Modelo Colaborativo que Não Existe em Lugar Nenhum
Antes de falar sobre o que pesquisamos, precisamos falar sobre como pesquisamos. Porque o modelo organizacional do Núcleo de Estudos e Pesquisa em IA & GP é, por si só, um caso de estudo em inovação aberta.
Vamos aos fatos: somos 52 voluntários ativos, distribuídos em 5 capítulos do PMI no Brasil (Goiás, Ceará, Distrito Federal, Minas Gerais e Rio Grande do Sul), organizados em 7 tribos de pesquisa ativas, operando com custo zero para as instituições envolvidas e produzindo resultados que já estão sendo submetidos a conferências internacionais do PMI.
Nenhuma dessas coisas deveria funcionar. E, no entanto, funciona.
Seleção por mérito, não por conveniência
O primeiro princípio que nos diferencia é a forma como montamos os times. Cada ciclo do Núcleo abre um processo seletivo aberto a todos os associados dos capítulos participantes. Candidatos passam por avaliação de perfil, entrevista e análise de disponibilidade real. Não há indicação política, não há cadeira cativa.
O resultado é um time onde cada pessoa escolheu estar ali — e sabe exatamente o que se espera dela. Isso elimina o principal assassino de comunidades voluntárias: o "membro fantasma" que entra com entusiasmo e desaparece na segunda semana.
Governança sem burocracia
Somos um projeto, não uma associação. Essa distinção é fundamental. Não temos atas formais, não temos votações, não temos cargos eletivos. Temos um Gestor do Projeto, líderes de tribo selecionados por competência técnica e um modelo de governança enxuto onde decisões são documentadas em um changelog versionado — exatamente como se faz em desenvolvimento de software.
Cada decisão estrutural recebe um código (GC-001, GC-002...), é registrada com contexto, justificativa e data, e fica permanentemente acessível na plataforma. Transparência total, burocracia zero.
Uma plataforma que pratica o que prega
Seria irônico pesquisar IA e gestão de projetos usando planilhas compartilhadas e grupos de WhatsApp. Por isso, construímos do zero uma plataforma própria — gamificada, trilíngue (português, inglês e espanhol), com dashboards individuais e por capítulo, sistema de presença automatizado, módulo de certificados e integração com o Credly para reconhecimento de badges do PMI.
Pesquisadores acumulam XP por participação em reuniões, contribuições às tribos e certificações obtidas. Líderes de tribo têm quadros Kanban para gerenciar entregáveis. Sponsors dos capítulos acessam painéis executivos com métricas reais de engajamento.
Tudo isso rodando em arquitetura serverless, código aberto no GitHub, sem nenhum custo de licenciamento.
O modelo que pode ser replicado
Talvez o aspecto mais interessante do Núcleo não seja a pesquisa em si — é a prova de que comunidades profissionais podem operar com o rigor de um projeto de software e a alma de um movimento voluntário.
Estamos documentando o modelo inteiro: a estrutura organizacional, o processo seletivo, a plataforma tecnológica, os mecanismos de engajamento e as lições aprendidas. O objetivo é que qualquer capítulo do PMI — ou qualquer comunidade profissional — possa adaptar e replicar essa abordagem.
Porque o futuro da pesquisa aplicada não está nos grandes centros acadêmicos exclusivos. Está nas comunidades de prática que decidem parar de apenas consumir conhecimento e começam a produzi-lo.
Se você é associado de um capítulo do PMI e quer trazer essa iniciativa para a sua região, entre em contato. A missão só cresce quando é compartilhada.